Luís Fortunato Lima 17.10.2019

“A casa da Infância” – 17.10 a 22.11 de 2019
FAUP – Átrio do Auditório da Biblioteca – 18.30h
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DSCN6730Lançamento da Sebenta de Desenho II (4) – AE FAUP
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Aparentemente, os desenhos que integram esta exposição apresentam imagens peculiares do nosso território, reconhecendo-se tipologias de estruturas existentes em contextos rurais ou semi-rurais. Procuram evocar certos ambientes vividos pelo autor na sua infância. Nenhum destes desenhos re-produz a imagem de um lugar específico e reconhecível na totalidade do seu conjunto, uma paisagem existente, real e identificável. São desenhos de imaginação. A montagem é livre. Possivelmente, na mesma imagem participam conjuntos de sensações obtidos em vários lugares e em alturas diversas, incluindo, talvez, ressonâncias de outros desenhos, pinturas, imagens. O processo que conduz ao emergir da imagem, no acto concreto do desenho, é suscitado por esfumadas manchas de carvão, nas quais o olhar encontra vultos de estruturas, objectos-alvo, por vezes associando-os, subconscientemente, a lembranças de carácter não visual: o toque das ervas secas ou da chapa quente, a rugosidade do muro, a direcção do vento, a sensação de caminhar sobre um chão irregular… Em suma, trata-se de um processo de imaginação que convoca a experiência do espaço, na expectativa de ativar, de algum modo, o campo afectivo/psicológico que motiva e orienta. O título da exposição relembra, precisamente, o pensamento psicanalítico de Peter Fuller, que conclui que «a arte se tornou na procura de uma casa que o artista crê ter possuído na infância e que a seus olhos assume o carácter de um paraíso perdido por sua culpa».
Luís Fortunato Lima
2019
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Luís Fortunato Lima
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Nasceu em 1976, no Porto, cidade onde reside e trabalha. A sua formação decorreu na Faculdade de Belas Artes do Porto, onde se licenciou em Artes Plásticas-Pintura (2002), obteve o Grau de Mestre em Práticas e Teorias do Desenho (2007) e o Grau de Doutor em Arte e Design (2017). Actualmente, lecciona Desenho na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Encontra-se activo como artista plástico desde 2002, tendo realizado várias exposições individuais e integrado várias colectivas com alguma relevância. Dedica-se à pintura e ao desenho. Na obra realizada, é frequente o encontro com imagens evocativas dos referentes espaciais da infância, ou com imagens de objectos/fragmentos que, de alguma forma, suscitam uma relação com esses referentes.


curadoria: José Manuel Barbosa
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Lançamento:
Sebenta (4)
Desenho II
(à venda na livraria da FAUP)
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Joaquim Pinto Vieira 02.11.19
http://pintovieiradesenho.blogspot.com/

Exposição na FAUP, sala do RISCOTUDO riscotudo.wordpress.com. Entrei e disse-me: Seurat. Mas logo vi que não era. A mancha do crayon contê é preta e é irregular, agitada. Mas foi ele que criou essa atenção no que se revela, por alguns sinais, duma figura imprecisa. Passados a imagem gráfica são encantadores. Ele desenhava do natural como os impressionistas. Era dramático e tenso. Agora, Luis Fortunato Lima, Porto, 1976, docente da FAUP. O carvão é cinza acastanhado. E duma constância total. Um nevoeiro artificial, já que não sabemos se são desenhos do natural. Não há dramatismo ou tensão ou ameaça. Nessa penumbra, um pouco aliviada no desenho exposto sózinho e mostrado no cartaz, esperamos que algo possa acontecer. Ou nunca aconteça nada. Os desenhos são em papel, 30x25cm, aprox. e sobre papel rugoso. Luís, sempre perto da abstração que é por um lado redução, limitação e por outro espiritualidade, abandono da terra e da matéria, como Worringer postulava e Gasset bem compreendeu como espanhol, por oposição ao homem germânico. E tenta essa ação de ligar a abstração à representação ou partir desta chegar aquela. É quase uma impossibilidade, mas só quase. Evita a vida e os dilemas emocionais e as tensões sentimentais. Recordemos que fez uma bela investigação de doutoramento sobre a natureza morta. Morta. Morte. Não a senti por perto nas imagens dos desenhos mas senti que estava a dormir e as imagens eram sonhos. A falta de ar, uma certa ausência ou ansiedade pelo que estará atrás. A luz é difusa e a variação tonal oscila entre 20% – 40%. Ténue. Este subtema do nevoeiro, da névoa do romantismo é um passo para a abstração. A casa da infância pode ser um sonho, sonhada e assim existir como o desenho o mostra. Muitos dos desenhos têm como tema o elementar. Elementar construir; elementar formar. A forma é quase sempre a mais simples, mas completa. A visão do observador está sempre a altura da tampa, do telhado. Algo nos está a ser vedado. Às vezes começa assim um mistério. A abstração começa aí mas afirma-se pela necessidade ou desejo de nos colocar perante o insignificante, o vulgar, o incompleto, o abandonado,… Em todos os desenhos o caráter plástico é constante e sempre igual. A Composição, além do Tema, como sabemos, é o maior desejo e exigência do desenhador. Não é dinâmica, no centro está o objeto em estado de denotação. Mas num deles, o objeto desloca-se para a esquerda e sai como um apêndice e isso cria significados diversos dos outros desenhos. Fora há algo! Começa a conotação. Mudam certos objetos que entram em jogo subtil com o objeto grande. Alguns são de tema diverso – barreiras de betão. A construção que é abrigo, ou proteção, ou casa, ou depósito de nada, é o tema dominante, como o que titula a exposição. Os desenhos são, como já nos habituou o Luís, primorosos. Prima o primor. Pequenos toques de claro ou de escuro que parecem dar informação maior do que aquela que dão. Truque! Mas é assim o desenho, um arte de artíficos para nos mostrar que aquilo que parece simples nem sempre é fácil e que o que é fácil só é possível quando se chega ao simples. A memória – ser consciente daquele muito pouco que somos – é no texto do Luís um suporte concetual e poético. Do que seja o inconsciente, a memória e o consciente sabemos que quase nada se pode dizer. Mas sabemos que existem. E isso encanta a vida… e o desenho.

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